Sensacional o trabalho do jornalista Leandro Narloch no livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil". Nas 319 páginas, o autor desafia os mitos da construção da imagem da sociedade brasileira. A grande tese - exposta com provas documentais - é de que tudo, desde a feijoada, samba, futebol, carnaval foi moldado para se tornar o que é hoje. Nada nasceu do povo.
Não há romantismo na criação do samba do morro. Os desfiles de carnaval são obra da ditadura Vargas: disciplina, disposição e organização. Nas avenidas, a inspiração veio das marchas fascistas de Mussolini. A verdade é que o Brasil, após se tornar República, estava carente de símbolos nacionais. Solo fértil para governos populistas transformarem o imaginário do país - que passou de plantação rural do mundo a berçário de culturas latino-americano.
Entre outras versões da história, narradas no livro, estão ainda os prejuízos que os colonizadores europeus tiveram ao ter contato com o índio. A separação entre o índio histórico e o literário se perde após décadas de publicações de ficção - fato semelhante ocorre com a figura do gaúcho, ora confundida e até mesmo fundida entre os livros históricos e literários.
A escravidão: os próprios negros negociavam e tinham escravos, outros negros. Até Zumbi colecionou umas negrinhas. Santos Dumont não passava de um playboy, muito bom construtor de balões, péssimo de aviões. O livro abre os olhos de quem acha que sabe de história. O passeio entre os séculos termina com a apoteótica análise sobre o Golpe Militar de 1964 e a participação dos comunistas no conflito - segundo o livro, interessados somente em inverter o lado da repressão.
As descobertas seguem um ritmo de leitura de revista. É nítida a influência "superinteressantística" do autor, que fez escola lá. Recomendo.
Quinta-feira, Março 25, 2010
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