Aeroporto
Nos grandes centros urbanos há sempre um peão mexendo o cimento. Não existe limite para a expansão, para o que chamam de progresso – um horizonte turvo, curvo e distante para a maioria da população brasileira.
Só que tem um lugar em que todos somos confrontados com as nossas mais íntimas emoções, uma grande construção que venera a nossa saudade. O ritual começa antes, em casa, ao recolhermos nossos mais valiosos pertences, desde a sempre esquecível escova de dentes até o documento amassado.
Já no aeroporto, começa o show de humanidade. São pessoas chorando: elas vão embarcar pra longe. São pessoas rindo: acabaram de chegar. Outras com raiva: não conseguiram embarcar pra longe. O resto rindo fácil: finalmente vão para aquele lugar.
O que resta de humano nas pessoas se revela nos aeroportos. A viagem é o de menos.
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