Tuesday, June 26, 2007

O ninja da Borges

Todo dia de manhã, com eventuais exceções, é a mesma rotina. Ele finalmente acorda, põe fim ao encurta-puxa do seu cobertor de criança e pula da cama. Bota os dois pés no chão ao mesmo tempo. Um pouco de sorte e um pouco de azar, é o ideal, pensa.

Come qualquer coisa. Veste qualquer coisa.

Segue em passos curtos, medidos, até a praça Isabel Católica, aquela que separa a Borges da Praia de Belas e vai encurtando até finalmente ceder à pressão do asfalto e unir as vias. Deposita a toalha, as chaves e a pequena niqueleira ao lado de uma árvore. E começa.

Em posição de Copo-cheio, Copo-vazio – princípio básico das artes marciais que consiste em flexionar os joelhos, para aumentar o equilíbrio e aliviar a tensão das costas – começa a praticar as sequências de golpes. Soca com a direita o cara da frente, dá um cotovelaço no outro ao lado, vira, cerra os punhos, respira, e começa de novo.

Os movimentos são péssimos, mas a atração é garantida. O senhor de no mínimo 50 anos, cabelo-cachopa, levemente gordo, já virou ponto turístico da cidade. O repertório de movimentos é enorme. Sempre que passo por lá, vejo uma nova série de golpes.

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